quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A Menina que roubava Flores


Era uma vez uma menina que morava numa cidadezinha chamada Flores de Maio. Nesta cidade todos adoravam flores, plantavam, colhiam no momento certo e trocavam. Assim todos eram felizes e viviam sorrindo! A menina não se conformava com tanta alegria, era preguiçosa e não gostava de plantar. Dizia para seus pais que aquele trabalho era uma bobagem, pois todos plantavam, se queriam flores era só pegar do vizinho. Seus pais ficavam tristes e tentavam mostrar a ela, o prazer de ver uma sementinha crescer e florir, mas a menina tinha o nariz em pé e saía dando de ombro, fazendo pouco caso.
Um belo dia ela teve uma ideia, resolveu pegar todas as flores da única praça que existia na cidade. Assim ela fez! Esperou escurecer e quando todos dormiam, a menina foi a praça e pegou todas as flores.
No dia seguinte as pessoas viram que as flores não estavam mais lá naquele lugar que tinha ficado tão bonito, enfeitado com variadas flores de cores diversas.
Todos ficaram tristes, se perguntando quem poderia ter feito aquilo.  Senhor Manoel da padaria, disse que não viu nada. O verdureiro falou que ouviu ruídos durante a noite, mas achou que fossem os gatos. Até a Chiquinha que toma conta de tudo não sabia como aquilo tinha acontecido. Enquanto todos comentavam, a menina morria de rir, achando muito engraçado tudo aquilo. Sendo assim, ela resolveu dar continuidade a sua travessura, na noite seguinte, saiu outra vez. Agora, ela resolveu pular o muro baixo da casa de Dona Mariquinha e tirar todas as flores do enorme jardim . Deu um trabalhão, mas ela conseguiu. E assim, durante alguns dias a menina fez. Saía sempre a noite e roubava as flores dos jardins. Quando amanhecia, as pessoas da cidadezinha ficavam perplexas, sem entender porque estavam fazendo aquilo e criavam várias histórias. Alguns diziam que era um monstro que vinha a noite se alimentar das flores. Outros diziam que eram forasteiros roubando as flores para venderem na cidade grande. Falaram até sobre um tal de Chupa Flores. Chupa Flores? Será que não é Chupa Cabras? Ah, e com tantas especulações a Menina morria de rir! Se divertia muito enquanto todos estavam preocupados e tristes.
Um dia ela saiu as ruas e percebeu que ninguém mais plantou uma semente de flores. As pessoas desistiram e andavam chateadas, mal humoradas, estressadas. Não havia mais aquele clima de alegria e sorrisos transbordando no rosto de ninguém. A menina mesmo sem entender, perguntava a seus pais porque aquelas pessoas davam tanta importância para as flores, afinal , eles podiam de viver de outra coisa. E seus pais lhe falavam, falavam, mas não adiantava, ela não queria ouvir.
Um certo dia a mãe da Menina desconfiou que sua filha poderia ser a pessoa que roubava as flores. Passou em seu rosto uma tristeza sem fim. A noite quando seu marido chegou, contou o que pensara e os dois ficaram tristes e quase certos que sua filha era a Menina que roubava as flores. O pai resolveu chamar a garota até os fundos da casa, onde tinha um quintal de terra e ensiná-la a plantar. A menina não acreditou: _ O que papai? O senhor está brincando né? Depois de tudo que aconteceu, o senhor quer que eu perca meu tempo plantando, para esse monstro, animal, bicho, sei lá o que, venha aqui roubar as flores? Ah eu não vou fazer isso não! E saiu rindo com a mão na barriga. Foi então que seu pai teve a certeza que era ela quem roubava as flores. Decidiu então, depois de conversar com sua esposa e chorarem muito, dar uma lição na garota. Eles iam plantar as flores e quando elas estivessem prontas para colher, ele tomariam conta para pegá-la no ato do roubo. Assim fizeram.
Uma bela noite a menina foi até o quintal para pegar as flores e quando tirou a primeira flor, seu pai deu um pulo em cima dela! A Menina deu um grito e correu, sem conseguir enxergar o que era. A mãe estava parada na porta dos fundos  a segurou nos braços, e falou: _ Por que fez isso? Não vês que ficamos tristes? Que nossa cidade ficou feia e nossos vizinhos e amigos perderam a vontade alegria?
A Menina muito sem graça falou: _ Mamãe, eu só queria fazer uma brincadeira. Existem tantas profissões melhores, que dão mais dinheiro, porque todos aqui querem plantar flores?
O pai percebendo o arrependimento da filha concluiu: _ Meu amor, cada um escolhe sua profissão. Nós resolvemos criar flores, porque amamos fazer isso. Assim nos juntamos aqui ,nesse lugar, para vivermos dessa profissão. Nossa cidade é tão bela, somos felizes com o que fazemos. Cuidamos uns dos outros, enfeitamos nossas casas e praças com o colorido e o perfume das flores. Somos felizes assim! Cada um deve buscar sua felicidade, mas a maior felicidade que o ser humano  pode ter, é saber dar valor a natureza e a tudo que faz parte dela.
A Menina chorando muito, pediu desculpas aos pais e disse que não faria mais aquilo.
O pai percebeu sua sinceridade e arrependimento e assim falou: _ Minha querida, eu e sua mãe amamos você, e queremos que você entenda que o que você fez atingiu a todos nossos amigos e vizinhos, sendo assim, você irá nos ajudar a plantar novamente todas as flores. O que você acha?
_Papai eu não sei se sou capaz, mas vou fazer isso sim.
_Você é capaz, e plantará lindas flores! Disse a mãe, com os olhos marejados.
E na manhã seguinte, a menina começou a chamar  todos para plantar. Com uma cestinha no braço, distribuiu sementinhas e diariamente aguava as plantinhas. A alegria voltou a reinar naquele lugar. O medo foi embora, a brisa suave voltou a soprar, o sol fez seu papel no crescimento de uma planta e todos voltaram a sentir o cheiro agradável do perfume das flores.
Assim aprendemos que mesmo quando não gostamos de uma coisa, devemos saber o motivo dela existir e respeitar a vontade e opinião das pessoas. Na vida precisamos uns dos outros para sermos feliz, e o trabalho de todos é muito importante para a sociedade.

Até mais!

Um comentário:

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